Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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Textos

 

 

Eis que novamente surge a saudade

Mas não se trata apenas de solidão,

Mas sim, é uma agonia múltipla.

É algo mais intenso que sufoca,

É uma dor que machuca, corrói,

Tem o efeito de uma lâmina na carne.

É estar ausente quando presente.

É um ranger de dentes intermitente.

Dá-se a imoderada inquietação,

Todo o corpo lateja impaciente.

A mente vegeta sob a recordação.

O sangue ferve nas veias.

Magoado, o coração bate acelerado

E quando o véu negro da noite,

Abraça os noturnos corações carentes,

Quando toda a metrópole adormece,

O poeta absorve e alimenta a depressão.

Ele vê as cenas do passado ressurgirem,

Lembra dos bares que compartilhou,

Chora pela união que não provou,

Lamenta ter sido culpado pela separação.

Tudo acabou tão friamente, sem despedidas.

Jamais imaginou como pesa um abandono.

E de repente a memória pune.

Seu consolo é viver solitário.

Hoje o poeta sabe a dimensão,

E quanto é doloroso sentir o abandono.

No coração de um poeta solitário,

Habitam várias paixões imaginárias.

Mas o que significa a saudade,

Senão um estado de ser que fascina o fraco?

As horas passam e a saudade caminha,

E o seu mundo sem o amor é triste,

Escuro, indiferente a tudo e a todos

Mergulhado no abismo a procura de nada,

Tentando prolongar o seu lamento.

Eis que novamente surge o desamor

Trazendo com ele a solidão doentia.

O poeta sente a dor e transcreve.

Mais uma vez ele se encontra pasmo,

Feito um trailer do desassossego,

Ele se vê arrastado pelo encanto

Da amada inesquecível,

beleza que, há de seda-lo

por toda sinuosa existência!

Mas, num raciocínio

Num relance de lucidez,

Concluiu que as palavras têm

A magia de transportar

As emoções do coração

Até o inventivo papel.

E por mais que

Tão doce sensibilidade

Seja amplamente absorvida

Através de sentimentos,

O poeta capta, interpreta,

Vive e canta o amor;

E sempre será absoluto,

Maior que a dor.

Remove lacunas intransponíveis.

Num tempo é altamente ativo,

Noutro tempo, absorto, estacionado.

Mas sempre inquieto na solidão,

Falando e buscando o amor

Que ficou em algum lugar do passado,

Copiosamente abraça o desamor.

Outra vez deprimido,

Entende que a vida se tornou maçante.

Os sonhos não aconteceram.

O coração desistiu do amor.

Os últimos sentimentos

Escorreram pela alma

Imitando o desaguar

Das últimas lágrimas,

Todos os sonhos imaginados

Foram jogadas ao vento

E o pranto rendeu-se ao mar.

A canção fora interrompida.

Fez-se enfim, o silêncio fúnebre,

Subtraindo a voz do poeta;

Abandonando a massa flácida

E libertando a cansada aura.

Tudo caminhava para ser

O início do trágico fim.

Num último esforço ponderou que

O poeta viaja na ilusão do momento,

Abraça a utopia externando insanidade,

Chorando um amor abstrato, esmaecido.

O poeta é alucinado, um louco sonhador.

Sempre escreve para alguém no além!

Ínfima pretensão de solicitar amor,

Se, a penumbra é companheira fiel,

Sempre acompanhada da solidão mordaz

Que se alimenta da cáustica depressão!

Porque o ato silencioso está inserido,

Em palavras tristonhas e dissimuladas,

Em evidente vingança

Contra o amor que há muito se foi?

Talvez esse amor inexista

E a trajetória seja falsa,

Estaria o poeta vivendo

Uma eterna simulação de vida,

Em outra dimensão,

Incubado no tempo, digno de pena

Vegetando num mundo paralelo?

Um amor não correspondido

Subtrai o prazer pela vida

E determina que a poesia

É mais que palavras,

É a extensão do coração.

Em suma, qual é a intenção do Poeta,

Senão implorar um amor nulificado

Que o condena a abster-se

de novas conquistas e infinitamente

Alienado por uma única paixão

Semelhante a um jardim

Com sua roseira espinhosa?

O poeta capta o exato momento da emoção,

Incorpora o sonho e mostra esperança,

Sorri para o amor que está a um passo.

Teu canto é ouvido em todas as vidas.

Conversar com o coração é doar-se,

Sempre iluminando a penumbra,

Rebatendo a solidão com o carinho

Que é predicado para reaver a esperança.

O ato silencioso é a reflexão da criação,

Dita de maneira terna e consistente

Que às vezes só pode ser entendida

Por alguém que queira ser feliz.

O poeta exerce a função de

Artesão das palavras,

Revigora o coração, tornando-o amável,

Quem escreve, doa o coração,

Esculpindo a beleza da vida

E declarando que o sonho

Pode se tornar realidade,

Sendo o combustível que

mantem a inabalável esperança.

Quem sabe, aquele amor do passado

Não se faz presente

Ainda que no futuro?

 

 

www.pauloizael.com

 

"ESCREVO O QUE SINTO, MAS NÃO VIVO O QUE ESCREVO"

 

 

 

 

Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 25/01/2025
Alterado em 25/01/2025
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