Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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Textos

 

 

Há décadas nossos olhos não se enxergavam.

O passado continuou me remoendo,

 O presente me triturando

E o futuro era nebuloso.

Mas numa providencial intervenção

Que vai além de minha imaginação,

Numa noite melancólica

Eis que tudo se transformou.

O vento uivou com violência

E a saudade que machucava

Cresceu em sua insignificância

Mas fora tragada pelo meu descaso.

Quando perdi você,

Zanzei por aí sem entender;

Não era amor nem paixão,

Eu apenas gravitava por um mar de ilusão.

Estava cansado de tentar te entender

E decidi que desta vez iria te esquecer.

A lembrança de tua imagem

Foi se perdendo em algum lugar do passado,

O sentimento feneceu,

Levando consigo meu lamento.

 No início da primavera.

Eu vivia sob a névoa da ilusão

E havia criado em minha mente

Uma lembrança fictícia

De um amor que há décadas

Havia se diluído no tempo.

O verão chegou gracioso

O imponente sol beijou meu efusivo coração.

Faíscas de felicidade

Adornaram meu caminho.

Sorri, ao ver minha imagem refletida

No espelho da vida,

Exatamente naquele momento,

Fui despertado pela razão da existência;

Aperreado, cansei de me esconder de mim

E me permiti um duradouro abraço

Me despedindo de amigos imaginários,

Também as rositas murcharam no jardim.

Senti o momento em que

A inércia bateu em retirada.

Aliviado, aspirei a encantatória

Felicidade da vida,

Eu estava radiante por existir.

Numa manhã colorida

Quando os primeiros raios solares

Beijaram minha corada face,

Pude ver claramente

Quando a tristeza me deixou,

Enfezada, se distanciando

E acenando contrariada

Com os dedos datilografando o ar.

O inverno glacial chegou rigoroso

Derrubando minha temperatura.

Ainda pelejei alguns anos

Para me aprumar na estrada sinuosa.

As vezes ainda avisto alguns vultos

Que eram meus antigos demônios.

Há tempos não me recordo de você

E, a cada dia luto para te esquecer.

Aliviado, hoje eu ouço o som do silêncio

Para não bulir com meu coração

Que já sofrera demais por decepções.

No dia seguinte o sol despertou convidativo

E logo surgiu um arco íris majestoso.

Aspirei, o ar de euforia invadiu meu coração.

Finalmente acreditei que

Estava livre das garras da ingratidão.

 

 

Paulo Izael

 

www.pauloizael.com

 

 

 

 

Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 13/02/2022
Alterado em 08/03/2022
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