Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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NOITES TRAIÇOEIRAS

Naquela noite decadente e solitária,
A música destoava perfazendo uma sinfonia solitária e tétrica.
Eu continuava a zanzar pelas ruas desertas a procura de nada,
Chutando latinhas e sorvendo o Bourbon falsificado.
Acendi um cigarro e atirei o isqueiro num gato medonho.
A escuridão da noite era um deleite para meus olhos.
A obesa e decadente lua tentava me clarear
Aumentando a rota de sua órbita.
Ignorei o satélite, e ameacei atear fogo em seu gelo.
A vida já havia me castigado de muitas maneiras,
Engabelando meus sonhos, surrupiando ideais,
Enegrecendo o destino e substituindo o azul do mar
Por melancólicas noites traiçoeiras.
Novamente a tétrica música ferindo meus tímpanos.
Tudo definhava, aquele barulho desprovia a vida,
Subtraindo o som e enterrando o ritmo.
No ar pairava um surto melancólico de som execrável.
Finalmente uma providencial rajada de vento frio
Me paralisou, senti alegria no momento glacial.
A hipotermia fazia minha massa raquítica tremer.
Num acesso de espasmos, senti a depressão da consciência,
Meus batimentos cessaram e a respiração escasseou.
Eu estava me despedindo de um mundo solitário.
Amei quando a vida se ausentou,
Senti-me extasiado ao descobrir minha mente inabitável,
o corpo desbotado, imóvel em estado glacial
E meu enlutado coração eternamente mudo, inaudível.
certamente um consolo para uma estadia deprimente.


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Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 04/12/2019
Alterado em 16/05/2020
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