Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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Quando te vi fui acometido por um frenesi,
Pensei que fosse uma ilusão de ótica,
Teus olhos negros me enfeitiçaram
E teu olhar ficou para sempre
Tatuado em meu pensamento.
Fotografei o exato momento em que
Meu coração conheceu a primeira paixão.
A felicidade fervia, nossos corações em êxtase;
Em perfeita ebulição amorosa.
Ah, como eu te amava,
Acima de tudo, de todos;
Na contramão da normalidade,
Ultrapassando a realidade.
Cada encontro parecia ser o primeiro,
Cada despedida era cortante,
Não conseguíamos viver separados,
E juramos amor infindo pela eternidade.
Essa poesia era para ser diferente,
Não divagar a esmo,
Apenas falar da gente.
Mas o tempo as vezes é devastador,
O que era amor hoje é rancor.
As juras de um amor eterno,
Hoje beira a loucura do inferno.
A possessividade, o ciúme doentio
Contribuíram para o rompimento.
O desconfortável embate amoroso
Não escolhia hora nem local,
Na cegueira de nossa animosidade,
O escândalo passou a ser normal.
É com pesar que ainda me lembro
Do fatídico dia onde tudo findou.
A enxerida lua observava com desdém
Os últimos segundos de nossa convivência.
O taxi, as malas, passos apressados,
O porteiro com os olhos arregalados,
Você se distanciando sem olhar para trás,
E naquele momento eu verti lágrimas
Num misto de amor e rancor.
Ainda pude ver, o batom borrado,
Cabelos esvoaçados e olhar mudo.
A porta batida com estrondo,
Lentamente o motor arrancando.
No último olhar, de soslaio, pude avistar
A face enrijecida que sempre amei,
A desconfortante palidez nos lábios
Que naquela noite não beijei.
Naquele momento cavei meu próprio abismo
E nele, até hoje convivo,
Abraçado a minha inseparável depressão.
Cá do alto do despenhadeiro.
Observo a escuridão apaziguadora
Trazendo consigo o vento úmido
Com seu elemento químico, o enxofre.
Vez por outra vejo um tridente esbagaçado
Com marcas de perfuração de chifres.
Esta poesia era para ser diferente,
Mas divaguei a esmo
E não poupei maledicências.
O tempo não encurtou a distância,
Nem cicatrizou as chagas do amor,
Favoreceu nosso desmantelo,
Fomos engolidos pela desmedida arrogância.
Na saudosa memória do livro da vida,
Que tange malefícios de maneira intermitente,
Hoje prazerosamente posso afirmar,
Que um grande amor morreu para sempre.
Agora você simboliza um espectro
A passar por mim sem inquirir
Ou abrasar qualquer sentimento,
Faz pena não ter cumprido o juramento.



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Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 04/06/2018
Alterado em 16/05/2020
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