Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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Textos
 
Tenho medo de não acordar
deste terrível pesadelo
Que em noites depressivas
Vem me torturar.
Arrancando meus sonhos,
Engabelando a verdade
E surrupiando minha sanidade.

Dizem que sou louco, alucinado
Mas não olham pra dentro de mim,
Apenas se distraem com a minha dor,
Tentam me direcionar com conselhos
Mas não sabem cuidar da própria vida.
Estou enojado dos falsos profetas
Que vendem consórcio com ida ao éden.

Ando meio enfadado, com pena de mim,
Acho que meu destino foi espatifado
Numa desiquilibrada erupção da alma
Abandonando o descartável corpo
Que vagueia sem rumo num ziguezague
Desconstruindo a caminhada
Numa utópica busca a procura de nada.

As vezes tudo está errado,
Uma desconexão entre sonho e realidade
Culmina abruptamente num tremor nas mãos
Que gera uma neurose histérica
Findando na destruição do corpo e mente.
No despertar do sol que enojou o novo dia,
As lágrimas banharam a face amarelada.

Anestesiado pela pílula do conformismo
Vi o manto negro da lua me cumprimentar
Oferecendo um chá de ácido lisérgico.
As cores se intensificaram num segundo
E produziram o melhor som que já ouvi.
Num delírio incontrolável que formigava,
Mordi e arranquei minha orelha esquerda.

Ensanguentado, despertei azedo e confuso.
Estranhamente o mundo estava estativo.
Flexionei as mãos mas não as senti.
Não havia palpitação em meus batimentos,
Tampouco notei o oxigênio nos pulmões.
Tudo era escuridão, senti-me aturdido.
Teria eu simplesmente morrido?

Entendi a percepção do abstrato,
Eu estava num estado gasoso
Onde a inconsciência registrava a loucura
E a matéria ia se distanciando do corpo
Tremulando os dedos num aceno.
Tudo estava decretado, era o fim.
E foi assim que vi-me saindo de mim.



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Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 27/10/2017
Alterado em 25/05/2020
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