Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
Capa Textos Áudios Fotos Perfil Livro de Visitas Contato Links
Textos
Tudo estava ruim, desmoronando
E a derrocada era previsível e iminente,
Tentei conjugar o verbo da bondade,
Invoquei os orixás mas estavam sonolentos.
Parecia que a desgraça tinha encontro marcado
Para destruir até as reminiscências da vida.
Senti o olhar anuviar, eu estava confuso.
Sabia que o tempo não esperava,
Mas tentei não ser apressado no raciocínio,
Me mantive estático para camuflar
O ato silencioso que se fez presente
E antecedia minha partida para o lado de lá.
Fotografei o exato momento da loucura
E pude ouvir o som silenciando as batidas
Do meu degenerado coração
E revelando a sórdida imagem da dor.
Atormentado, eu via mas não olhava,
Apenas disfarçava o olhar tentando
Engabelar a vida que não mais existia.
Foi com imenso desprazer que vi-me
Saindo de mim, abandonando a massa,
Corpo e alma desunidos em fragmentos.
Meu ex-espírito errante em descompasso
Olhou-me pela última vez,
Zombando de meu corpo obeso, dos inchaços,
Fez pilhéria, exibindo um sorriso macabro,
Diminuindo-me pela vida debruçada no fracasso.
Assenti o deboche, mas penumbra não reluz,
Qual o ganho de um espírito sem luz?


www.pauloizael.com
Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 22/06/2017
Alterado em 07/06/2020
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários