Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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TEUS OLHOS
 
 
Abruptamente o abismo em torno de mim se agigantou,
Desequilibrado tentei me segurar em algo mas tombei.
Meus olhos enxergavam apenas a escuridão
No desdenhoso mote da infelicidade anunciada.
A desesperança gravitou faceira e convincente.
Desorientada, minha mente vagueou vegetando,
Evidenciando a falência múltipla de todos os sentimentos.
A dor do amor queimava meu peito de maneira intermitente.
De tão acelerado, meu coração parecia implodir
sinalizando fagulhas em brasa que abriam as lacunas
Da saudade e tingiam de negro minha desfalecida aura
Que provia incertos momentos de lucidez.
Aleatoriamente busquei numa gaveta imunda um papel
E vi tua foto amarelada onde teus olhos
Após tantos anos ainda incomodavam os meus.
Mais uma vez fixei meus olhos atentamente
Percebendo que havia desdenho naquela foto
que parecia dizer que a borracha do tempo
Havia apagado totalmente possíveis reminiscências
Indicando que eu sempre fora um estorvo.
Lembrei-me do beijo negado, do abraço recusado
E o fel que acompanhava todos os seus xingamentos.
Conclui pesaroso que naquela penosa união
apenas eu havia flertado.
Todo meu amor passou sem acontecer.
A tormenta do abandono abrasou meu coração
Corando minha face desbotada
E franzindo a fronte que latejava disforme.
Pensei ter desfalecido quando o mundo escureceu,
Eu tateava entre trevas amarrado em meu calvário
Sabendo que ainda perdurava em mim o belicoso
Fardo do amor que jamais seria correspondido.
Não sei precisar o tempo em que permaneci estático,
Mas de repente um clarão acendeu em meus olhos,
Meus batimentos se normalizaram.
Amei a magia da natureza estampada no por do sol.
Lentamente, fez-se noite em meu viver.
Olhei para cima e vi que a majestosa lua
Nascera prateada, iluminando minha estrada
E apagando o que passou...Novos tempos!
Os primeiros raios solares beijaram meus lábios
intensificando a beleza da vida.
O céu estava tão estrelado que tudo reluzia
Exaltando o brilho luminoso da felicidade.
De meus ressequidos lábios, pela primeira vez
Vi brotar em sorriso apaziguador,
Me permiti um longo e merecido abraço
Sentindo que havia me desprendido dos amargos da vida.
Em genuflexão, reverenciei o colibri
E descansei inebriado frente ao
Fascinante perfume exalado pelo orquidário.


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Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 07/02/2015
Alterado em 18/02/2015
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