Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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          A HISTÓRIA DE UM LOUCO
                                                        
 
Olhei para cima e avistei o suicídio de um asteroide.
Nestes tempos turbulentos as noites são infindas
E os dias cinzentos carentes de sol.
Neste ambiente hostil a inércia furtivamente se apossa de mim,
Tornando-me refém da iniciativa, incitando-me a não fazer nada.
Cotidianamente a vida me olha com desdenho.
Tento exercitar-me, dia sim mordo a orelha esquerda,
Dia não é a vez da direita que sangra mais.
O desprazer vem acompanhado de uma aura de infelicidade
Que me acumula de depressivo descontentamento.
Em noites enojantes, perambulo pelas ruas desertas
Chutando latinhas e inalando a desgraça enfumaçada,
Ouvindo o canto macabro do morcego aperreado
E enfezado pelo revés entorpecido pelo desconforto.
Sob o luar, a insanidade surge mais acentuada,
Sugando todas as minhas incapacidades,
Me furtando o direito de viver e não me permitindo morrer.
Adormeci engolindo um punhado de tarja preta.
Desorientado, ouvi a homilia do destino decretar
Que toda minha vida estava estraçalhada,
Feito sonho em filme mudo, o cenário era degradante.
Por isso vida, eu estou aqui  sob o sol escaldante
Com sonhos nulificados, sem nada acontecer.
Neste descompasso espiritual, contemplo
A medonha inutilidade da minha desprezível alma
E no esmorecimento letal da matéria
Sugestionando que eu estaria perto do fim.
Ontem eu me detestava, hoje, dei para ter pena de mim.
Neste labirinto cósmico, a nebulosa bola de crista desorienta
E as incertezas denotam primícias que evidencia a insanidade,
Adicionando um turbilhão de loucuras em minha mente doentia.
Qual a vantagem em quitar o carnê da salvação
Se meus passos nunca foram orientados?
Acendi um cigarro na cauda de um cometa,
Fechei os olhos e mergulhei no escuro sem fim,
Com a certeza que preencheria minha vida tao vazia,
Atropelei um cometa que agonizava chamado de  Hawking.
Tornei-me um astro sem luz, feito lâmpada negra
Girando em torno da terra com seus habitantes mumificados.
Cá do alto, rodeado por planetas expulsos da rota,
Vez por outra me pego dando milho a pombos alienígenas.
                                                     
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Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 13/12/2014
Alterado em 07/06/2020
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