Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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AINDA TE AMO ?

O vento uivou com violência
E a saudade que machucava
Cresceu em sua insignificância
Mas fora tragada pelo meu descaso.
Quando perdi você,
Zanzei por ai sem entender;
Não era amor nem paixão,
Eu apenas gravitava por um mar de ilusão.
Estava cansado de tentar te entender
E decidi que desta vez iria te esquecer.
A lembrança de tua imagem
Foi se perdendo em algum lugar da primavera.
O verão chegou gracioso
Abraçando o deslumbrante arco-íris.
O imponente sol beijou meu efusivo coração.
Faíscas de felicidade
Adornaram meu caminho.
Sorri, ao ver minha imagem refletida
No espelho da vida,
Exatamente naquele momento,
Fui despertado pela razão da existência;
Aperreado, cansei de me esconder de mim
E me permiti um duradouro abraço
Me despedindo de amigos imaginários,
Naquele momento a inércia bateu em retirada.
Aliviado, aspirei a encantatória felicidade da vida,
Eu estava radiante por existir.
Numa manhã colorida
Quando os primeiros raios solares
Beijaram minha corada face,
Pude ver claramente quando a tristeza me deixou,
Enfezada, se distanciando e acenando contrariada
Com os dedos datilografando o ar.
O inverno glacial chegou rigoroso
Derrubando minha temperatura.
Ainda pelejei alguns anos
Para me aprumar na estrada sinuosa.
As vezes ainda avisto alguns vultos
Que eram meus antigos demônios.
Há tempos não me recordo de você.
Aliviado, hoje eu ouço o som do silêncio
Para não bulir com meu coração
Que já sofreu demais por decepções.
Um tarja preta para dormir,
Outro para acordar,
Novamente uma para sorrir
E outra para chorar.
As luzes do sanatório se apagaram.
No dia seguinte o sol despertou acabrunhado.
Fazia claro, mas parecia noite em meu coração.
Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 29/09/2014
Alterado em 03/05/2020
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