Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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A PARTIDA

Quando meus avermelhados olhos

não mais fotografaram os teus,
uma rajada de vento frio
trouxe o tenebroso anuncio da partida.
Atônito e esmorecido, andei em zigue-zague;
não acreditando na precoce ruptura da vida.
 
Eu não estava preparado para despedidas,
Não aclarava alegria na imensa dor,
Deixar a vida para crescer espiritualmente
E transpor um degrau na pirâmide do destino
Era algo baseado na utopia exagerada.
Teu inerte olhar me desistiu de esperança.
 
Beijei teus lábios gelados e vi teus olhos extraviados.
Copiosamente o amor se distanciava de mim,
Tentei lutar contra espíritos relutantes
Que findaram por escoltar tua alma
Numa equivocada subtração de existência
Que estava sendo enviada a outro plano.
 
Como andarei sem teu providencial amparo?
Eu dizia por teus lábios e não me enxergava.
Andava, mas não saia do mesmo lugar,
Não pensava, apenas era obediente.
Sem tua luz, meu mundo enegrece em luto
E meus batimentos retrocedem em câmera lenta.
 
Não roguei prece a nenhum criador,
Tampouco me lembrei de exaltar a fé,
Que sempre vem embalada num engodo.
No torturante vazio do tempo,
um século passou empacado sem acontecer e
Ate a saudade foi ignorada pela dor.  
 
Vez por outra saio de mim
E avisto meu vulto vagando sem razão de ser.
Eu aqui, querendo te ver, querendo falar...
Esquecendo de viver, fugindo de mim;
Talvez morto, imóvel sob trapos asquerosos,
Inquilino do meu próprio corpo em decomposição.

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Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 21/01/2013
Alterado em 13/09/2015
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