Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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TRÊS ALMAS, UM DESTINO!


Num segundo, os três balões foram cortados.
Em resposta, as auras foram tingidas de preto.
Um turbilhão de reminiscências aflorou,
Como que, revendo toda a vida num instante,
As três almas não compreendiam o momento.
Os caixões perfilados, as flores em coroa...
Condolências póstumas de parentes distantes
E amigos que jamais se apresentaram como tal.
Copiosamente as lágrimas escorriam a dor.
A indignação cobria os olhos lacrimosos.
Há poucos segundos passeavam de carro
E num instante seguinte a escuridão total.
A morte fora repentina, os mortos olhavam
Toda a movimentação do velório,
Mas não percebiam porque estavam imóveis,
Acondicionados naqueles sisudos caixões.
O cortejo fúnebre amputou qualquer chance
De retroagir ao tempo, tratava-se de morte.
A cova aberta, os caixões, a cova fechada.
O tapete de grama verde selou o ato silencioso.
Algumas flores sobre a terra vermelha
E a costumeira homilia ensandecida do pároco.
Então, as almas entreolharam-se e assentiram
A concordância triste da interceptação da vida
No adeus final, diante da incógnita do fenecimento.
Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 22/07/2005
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