Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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ESTÁGIO DA DOR!


Ela carecia de afeto.
A maquiagem pesada
Escondia a enrugada face.
O desalento do abandono
Fora cruel para com ela.
Os convites haviam cessado.
A rejeição ardia na alma.
Sua imagem que fascinava,
Agora causava repugnância.
Noutros tempos era narcisista,
Mas frente aos árduos tempos,
O espelho era algo assustador.
Acercava-se de cosméticos.
Era a forma delicada
De prolongar traços joviais.
Não se lembrava com clareza
A última vez que fora solicitada.
Olhou de soslaio, temerosa, tensa;
Tentando ocultar sua imagem.
O reflexo era deprimente.
O cabelo mal tingido,
O corpo flácido e cansado,
Causou-lhe um tremor nas mãos.
Pensou em despedir-se da vida.
Era covarde, incapaz de suicidar-se.
Toda uma vida de total entrega
A um amor não correspondido.
Quando ainda bela,reclamava
Por sentir-se a outra no relacionamento.
Agora lhe faltava identidade.
Uma vida em vão, subtraída.
Pensou que com sorte, receberia
Com extremado prazer
O aroma nefasto em bolor;
Que antecede à gloriosa presença
Da almejada e bem vinda morte,
Talvez um soluço conformado
No último estágio da dor
Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 04/07/2005
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