Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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CAINDO DE MIM

O dia amanheceu acabrunhado,
Nuvens negras descoloriram o céu.
O horizonte cambaleante quedou
Encoberto por cinza degradante,
Anunciando o dia do acerto final.

Felicitado, olhei de soslaio,
E percebi a chegada da tristeza
Que vinha me felicitar
Por mais um dia desprezível
Acrescido pela maçante rotina.

Ouvi o desfalecido trovão rugir.
Abri os braços e assenti prazerosamente
A chuva ácida despertar-me.
Era um doce desencanto
Que molhava meu esquálido corpo
E ufanava meus destroços.

Frente às animosidades da vida,
Com sentimento descontinuado,
Tornei-me hermético e sisudo.
Ate o sorriso tornou-se mumificado
E desprendeu-se abruptamente
Do enojante corpo que pendia.

Eu nulifiquei minha estadia
Abstido do falso afago.
Ate a lua transluziu em mim,
Nuance de mau presságio.
Encantei-me com a derrocada
Que chegava para interceptar a viagem,
e Descortinar a premissa do fim.

Eu estava despojado do sonho,
Não havia temeridade no fenecimento,
Toda a desgraça era um doce alento
Que me subtraia as forças,
Mas adicionava o tédio necessário
Para que eu pudesse enxergar
Minha própria queda.
Extasiado, vi-me, caindo de mim.



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paulo.izael@ig.com.br

"escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo"!

Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 14/05/2010
Alterado em 16/05/2010
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