Paulo Izael
Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo.
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VAZIO DO TEMPO


A cama redonda, os espelhos iluminados,
O momento irradiava plena supremacia.
Vinha-me a sensação de ser um déspota.
Feito pluma, nossas mãos trocavam carícias.
Nossos corpos tremiam frente ao prazer.
O sexo era um perigo iminente e já previsível.
Num piscar de olhos, uma faísca de desconfiança!
Segundos depois, eu já não estava em você.
Uma sucessão de gritos desconcertantes.
A mim foi exigida severa cobrança de fidelidade.
Encolhi-me sob o lençol, indiferente a tudo.
Antigas desavenças afloravam com veemência.
No ar pairava o desprazer seguido de acusações.
Nossos olhos num trabalho de reconhecimento.
Lábios arroxeados se contorciam em dores
Que representavam uma perda irreparável.
Nosso florido mundo tornava-se lúgubre.
Em guarda, o ódio incendiava o crucial momento.
Era o fim de uma sincera união amorosa.
Em nossos olhos a mágoa encobria as lágrimas.
Imóvel, observei seus últimos passos a se distanciarem.
Olhei de soslaio frente ao silêncio sepulcral.
Aquela separação seria chorada por toda a vida.
Vez por outra, passo a noite a relembrar o amor.
Penso em você, que há tanto tempo desapareceu.
Ainda hoje, decorridos vários carnavais,
Fantasio utópicas esperanças que se perdem.
É penoso admitir que ainda sonho com os carinhos teus.
Acredito que é assim que a tristeza quer me ver,
No vazio do tempo, meus soluços sufocam as lágrimas
E camuflam a dor intermitente que dilacera a alma.
Cá, do alto da montanha que abraça a solidão,
Continuo a machucar a mim mesmo e não me percebo.


Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 20/03/2010
Alterado em 07/04/2010
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